Enciclopédia de Ásanas

O alfabeto do Hatha Yoga, postura por postura.

Cada ásana explicada com a profundidade de uma aula presencial: técnica, efeitos, variações e os ajustes que Ana faz em sala — para quem quer entender o que pratica, não só imitar uma forma.

8 categorias catalogadas
9 posturas documentadas — cobertura completa das 8 categorias
Fonte: Biblioteca de Ásanas de Ana Lima
Por que um glossário assim. A maioria dos sites de yoga descreve uma postura em três linhas genéricas. Aqui, cada ásana carrega a mesma didática que Ana usa em 20 anos de sala de aula: de onde vem o nome em sânscrito, como entrar com segurança, o que ajustar quando o corpo resiste — e quando adaptar em vez de forçar.

Índice de categorias

A Ana organiza o repertório de posturas em oito famílias, cada uma com uma função diferente numa aula de Hatha Yoga — do aquecimento em pé até o silêncio da meditação.

01

Posturas em pé

Preparam e aquecem o corpo, trabalham resistência, alongamento e equilíbrio.

2 posturas disponíveis
02

Deitadas de barriga para cima

Trabalham a flexibilidade de uma forma mais passiva.

1 postura disponível
03

Posturas invertidas

Atuam nas glândulas e no sistema nervoso, alterando o fluxo do sangue e trazendo equilíbrio.

1 postura disponível
04

Deitadas de barriga para baixo

Trabalham a musculatura da parte posterior das costas e a abertura do peitoral, de forma ativa.

1 postura disponível
05

Posturas sentadas

Flexões para frente, para os lados e torções da coluna — ativas ou passivas, conforme a intenção.

1 postura disponível
06

Retroflexões

Revigorantes — atuam com a extensão da coluna.

1 postura disponível
07

Posturas de meditação

Para meditar e realizar pranayamas.

1 postura disponível
08

Posturas de equilíbrio

Exigem força e equilíbrio — e, como Vrksasana mostra, treinam também o foco da mente.

2 posturas disponíveis
Nenhuma categoria encontrada.

Posturas em pé

O ponto de partida de quase toda sequência de Hatha Yoga: aqui o corpo aprende a se organizar contra a gravidade antes de qualquer variação mais complexa.

Foto ainda não catalogada na biblioteca da Ana para esta postura
Postura em pé · Base de todas as posturas em pé

Tadasana

também chamada Samasthiti
Postura da Montanha

Tada significa montanha, sama quer dizer reto, sthiti é imóvel — nessa postura, a yogue se mantém firme e imóvel como uma montanha.

Categoria
Posturas em pé
Função
Base de todas as posturas em pé
Também chamada
Samasthiti
  1. Fique em pé com os pés juntos e estique os braços ao longo do corpo.
  2. Desloque o peso do corpo para frente e para trás, até encontrar o seu eixo.
  3. Conecte os pés firmemente ao chão e eleve o arco dos pés.
  4. Alongue o pescoço e a coluna, elevando o topo da cabeça e recolhendo levemente o queixo.
  5. Gire suavemente os ombros para fora e estique os braços para baixo, com as palmas das mãos voltadas para dentro.
  6. Eleve o esterno, recolha o abdômen e mantenha as coxas firmes.
  7. Fixe o olhar em um ponto à frente, na mesma altura dos olhos.
  8. Respire profundamente com suavidade, integrando todas as ações no corpo sem criar tensões.

A prática do Tadasana ensina o corpo a maneira correta de ficar em pé e ajuda a corrigir disfunções na pisada — como a pronada (peso jogado para dentro), a supinada (peso jogado para fora) ou até o pé chato. Assim, o peso passa a ser distribuído igualmente entre a parte interna e externa das pernas, evitando sobrecarga nas articulações dos tornozelos, joelhos e quadris — refletindo positivamente na coluna vertebral e trazendo equilíbrio e leveza ao caminhar.

  • Levar as mãos em anjali mudra no centro do peito.
  • Manter os pés afastados na largura dos quadris.
  • Unir os dedões e afastar os maléolos.
Erro comum: alunas hiper-estendem os cotovelos e/ou os joelhos. Nesse caso, o ajuste é pedir que flexione levemente os cotovelos e/ou joelhos, sem perder a linha energética dos membros.
Ana Lima demonstrando Urdhva Hastasana, braços elevados
Também na biblioteca da Ana, entre Tadasana e Vrksasana
Urdhva Hastasana

A postura de braços elevados que prepara o corpo para o alongamento — texto completo chega numa próxima atualização deste glossário.

Deitadas de barriga para cima

Depois do esforço, o corpo aprende a soltar. Aqui a flexibilidade acontece de forma mais passiva, com a gravidade fazendo boa parte do trabalho — e Savasana é o exemplo mais puro desse convite ao descanso consciente.

Ana Lima demonstrando Savasana, a Postura do Cadáver, deitada de costas em relaxamento total
Ana Lima em Savasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura deitada de barriga para cima · Relaxamento final

Savasana

a Postura do Cadáver
descanso consciente e integração da prática

Sava quer dizer cadáver — é Shiva sem Shakti. Savasana existe para o descanso e o relaxamento, o ponto em que o corpo para de fazer e simplesmente é.

Categoria
Deitada de barriga para cima
Função
Descanso e assimilação da prática
Nível
Todos os níveis
  1. Deite de barriga para cima com as pernas juntas e observe se o corpo está alinhado.
  2. Relaxe as pernas, deixando os pés caírem para os lados.
  3. Afaste levemente os braços do corpo, com as palmas das mãos voltadas para cima.
  4. Feche os olhos e faça algumas respirações profundas, soltando o ar pela boca.
  5. Volte a respirar pelo nariz, deixando o fluxo acontecer naturalmente.
  6. Mergulhe no corpo: a cada expiração, relaxe um pouco mais cada membro.
  7. Solte completamente o peso da cabeça no chão e relaxe o rosto, a testa e os olhos.
  8. Permaneça na postura, sempre conectada com a respiração, aprofundando o relaxamento.

Restaura a energia do corpo e da mente, possibilitando a assimilação dos efeitos da prática e das técnicas em geral. A mente se acalma, a respiração fica suave, a frequência cardíaca diminui — assim como o metabolismo do corpo.

  • Colocar um cobertor dobrado sob a cabeça e um almofadão embaixo dos joelhos.
  • Deitar sobre um almofadão, com a cabeça apoiada em um cobertor, as pernas esticadas e relaxadas e os braços ao longo do corpo, um pouco afastados, palmas para cima.
Orientação para quem ensina: observar o alinhamento da aluna e corrigir se necessário. A professora pode segurar as canelas da aluna, elevar as pernas do chão e puxar com suavidade para trás, centralizando-as antes de apoiá-las de novo no chão. Pode encaixar as escápulas — levantando o ombro de um lado, passando a outra mão por baixo da axila e deslizando a pele em direção aos glúteos — acomodando com cuidado o ombro no chão. Por trás da aluna, segurar a cabeça com as duas mãos e puxar com suavidade para trás e para baixo, alongando a nuca e centralizando a cabeça.

Posturas invertidas

Inverter o corpo em relação ao chão muda o fluxo do sangue e da linfa, estimula glândulas e o sistema nervoso — e pede uma base sólida e paciência antes de qualquer permanência mais longa.

Ana Lima demonstrando Halasana, a Postura do Arado, pernas estendidas atrás da cabeça
Ana Lima em Halasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura invertida · Extensão intensa da coluna

Halasana

a Postura do Arado
extensão da coluna e alívio dos ombros

Hala quer dizer arado — o corpo se dobra ao meio como a lâmina de um arado revirando a terra, numa das inversões mais profundas do Hatha Yoga.

Categoria
Posturas invertidas
Ponto de partida
Sarvangasana (a vela)
Nível
Avançado, com supervisão
  1. Partindo de Sarvangasana (a vela), desça as pernas esticadas junto com a expiração, levando os pés em direção ao chão atrás da cabeça — se possível, tocando o peito dos pés no chão.
  2. Se possível, entrelace os dedos das mãos atrás das costas e estique os braços.
  3. Estique as pernas e eleve os quadris.
  4. Relaxe o rosto, a garganta e o cérebro, respirando com calma na postura.
  5. Para desfazer: desenlace os dedos, apoie as palmas das mãos no chão e, com a expiração, desenrole o corpo lentamente até relaxar no chão — ou inspire, retorne a Sarvangasana e expire, levando o quadril para baixo, desenrolando a coluna com cuidado.

Os efeitos de Halasana são semelhantes aos de Sarvangasana, mas alongam ainda mais intensamente a coluna, a parte posterior das pernas e os braços. Traz mobilidade aos ombros e fortalece punhos e dedos. Quem sofre de lombalgia ou artrite nas costas costuma sentir alívio nesta postura, e os músculos do abdômen são contraídos enquanto os órgãos internos são suavemente massageados. É indicada para quem tem tendência à pressão alta — a inversão do fluxo de sangue e linfa ajuda a regular as funções vitais do organismo —, mas essas alunas precisam ser acompanhadas de perto: ao primeiro sinal de tontura, a postura é desfeita.

O intenso alongamento da coluna pode produzir uma liberação de calor, abrindo e desobstruindo o canal do Sushumna.
  • Levar os braços em direção às pernas e as mãos até os pés.
  • Afastar mais as pernas, para trabalhar a abertura do quadril.
  • Levar as mãos à lombar, como apoio, ou apoiar as palmas no chão.
  • Supta-Konasana: abrir as pernas acima da linha da cabeça, levando as mãos aos pés.
  • Karna-pidasana: pernas acima da linha da cabeça, joelhos ao lado das orelhas, mãos na parte posterior dos joelhos.
  • Praticar com a sola dos pés na parede e as pernas paralelas ao chão, ou com as coxas apoiadas em um suporte e um peso leve nas panturrilhas.
Orientação para quem ensina: observar primeiro se a cabeça não está torta, corrigindo se necessário. A professora apoia as mãos no quadril da aluna e puxa suavemente para cima, aliviando o peso nos ombros e permitindo melhor alinhamento da coluna e dos braços. Para ajudar a esticar mais os braços, segura os bíceps girando-os para fora — ou une os punhos da aluna, pressionando-os levemente para baixo.

Alunas com escoliose, histórico de hérnia de disco ou problemas cervicais precisam ser avaliadas com cuidado. Se a lesão ou dor estiver na região cervical, usamos suporte — ou não praticamos a postura. A cabeça precisa permanecer alinhada com a coluna, com o peso distribuído igualmente nos dois lados do quadril, dos trapézios e dos ombros.

Deitadas de barriga para baixo

O contraponto ativo das posturas deitadas: aqui a musculatura das costas e a extensão da coluna entram em ação, abrindo o peito contra a força da gravidade em vez de se entregar a ela.

Ana Lima demonstrando Bhujangasana, a Postura da Cobra, tronco elevado com o peito aberto
Ana Lima em Bhujangasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura de barriga para baixo · Fortalece a lombar

Bhujangasana

a Postura da Cobra
abertura do peito e fortalecimento da lombar

Bhujanga quer dizer cobra — o tronco se ergue do chão como a cabeça de uma serpente, abrindo o peito e ativando toda a musculatura das costas.

Categoria
Barriga para baixo
Foco
Extensão lombar e abertura do peito
Atenção
Dores na região lombar
  1. Deite de barriga para baixo, com as pernas firmes e esticadas e os pés juntos.
  2. Coloque as palmas das mãos no chão ao lado do corpo, na altura do peitoral, com os dedos bem separados.
  3. Inspire e estique os braços, mantendo as pernas e o osso púbico no chão.
  4. Encaixe as escápulas, girando os ombros para fora.
  5. Alongue a coluna e recolha levemente o queixo, criando espaço entre os ombros e as orelhas.

Essa postura alonga a parede do abdômen e trabalha os punhos, a musculatura dos braços, dos ombros e das costas — fortalecendo a lombar e o abdômen.

Os efeitos sutis variam conforme onde a coluna recebe mais intensamente a flexão — de acordo com a altura de cada variação — e conforme qual parte do corpo pressiona o chão: se as mãos empurram o chão com força (comprimindo a lombar) ou apenas apoiam (abrindo mais o peito e liberando a pressão na lombar), e se as pernas ficam juntas, com os dedões se tocando, ou abertas e relaxadas.
  • Braços abertos em cruz, na altura dos ombros.
  • Braços esticados na linha dos ombros, próximos às orelhas.
  • Cotovelos esticados na altura da cintura.
  • Antebraços no chão.
Atenção: pessoas com problemas na região lombar.
Orientação para quem ensina: a professora verifica se os ombros estão relaxados e o peito aberto, ajudando a girar os ombros da aluna para fora e a ajustar o quadril.

Alunas com dor lombar costumam sentir sensibilidade ou desconforto ao permanecer na postura por mais tempo ou com maior frequência. É preciso adaptar a abertura das pernas e a altura do tronco até encontrar conforto e possibilidade de permanência.

Posturas sentadas

Da base neutra de Dandasana partem as flexões, as torções e os alongamentos que preparam o corpo para ficar parado — sentado — com conforto e presença.

Ana Lima demonstrando Dandasana, a Postura do Bastão, sentada com a coluna ereta e as pernas esticadas à frente
Ana Lima em Dandasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura sentada · Base de todas as posturas sentadas

Dandasana

a Postura do Bastão
base de todas as posturas sentadas

Danda quer dizer bastão — nessa postura a coluna vertebral permanece ereta e firme, como um bastão fincado no chão.

Categoria
Posturas sentadas
Função
Base de todas as posturas sentadas
Também indicada para
Alívio da falta de ar (asma)
  1. Venha de Adho Mukha Svanasana ou sente-se diretamente com as pernas esticadas à frente.
  2. Junte os pés e mantenha firmeza nas coxas, girando-as levemente para dentro.
  3. Alongue a parte interna das pernas, levando os calcanhares para frente.
  4. Coloque as palmas das mãos no chão ao lado dos quadris, conectando-as firmemente e tracionando levemente contra o chão.
  5. Alongue a coluna, gire os ombros para fora e deixe o tórax expandir e o abdômen se recolher.
  6. Deixe os ísquios se moverem para trás, intensificando o alongamento na parte posterior das pernas.
  7. Respire profundamente com suavidade, integrando todas as ações sem criar tensões.

Apesar de parecer uma postura fácil, executar um Dandasana perfeito exige muita prática e técnica para integrar todas as ações sem criar tensões. É a base de todas as posturas sentadas e, assim como Tadasana nas posturas em pé, costuma servir de ponto de partida para as demais posturas da mesma família. A prática alivia a falta de ar e é indicada para quem tem asma, alonga os músculos peitorais, tonifica os órgãos e fortalece a musculatura abdominal, a coluna e as pernas, além de alongar os ligamentos das pernas.

  • Levar as mãos paralelas acima da cabeça, na altura dos ombros.
  • Levar as mãos acima da cabeça, entrelaçando os dedos, palmas para cima.
Orientação para quem ensina: a professora posiciona o pé ao lado do sacro da aluna e pede que estique os braços para cima; segurando nos punhos, faz uma tração para cima que ajuda a alongar o tronco e ganhar espaço entre as vértebras. Ao mesmo tempo, com a extensão da própria perna, faz uma leve pressão para frente, empurrando a lombar da aluna para dentro.

Usar um cobertor ou almofada sob os glúteos, ajudando a lombar a se manter firme e ereta e evitando compensações ao longo da coluna e dos ombros.

Retroflexões

Revigorantes por natureza: a coluna se estende para trás, o peito se abre e a energia represada na frente do corpo ganha espaço para circular.

Ana Lima demonstrando Ustrasana, a Postura do Camelo, ajoelhada com o tronco em extensão e o peito aberto
Ana Lima em Ustrasana — acervo da biblioteca de ásanas
Retroflexão · Abertura intensa do peito

Ustrasana

a Postura do Camelo
extensão da coluna e abertura do peito

Ustra quer dizer camelo — o tronco se curva para trás como a corcova do animal, numa das retroflexões mais acessíveis do repertório.

Categoria
Retroflexões
Ponto de partida
Vajrasana
Nível
Intermediário
  1. Saindo de Vajrasana, ajoelhe com os joelhos separados na largura dos quadris e o peito dos pés no chão, mãos apoiadas nos joelhos.
  2. Inspire e suba os quadris e o tronco, elevando as duas mãos — ou uma de cada vez — até apoiá-las atrás dos joelhos ou nos calcanhares.
  3. Expire, mantenha as coxas perpendiculares ao solo, incline o tronco para trás e o quadril para frente.
  4. Pressione o dorso dos pés contra o chão, alongue as coxas, abra o peito e solte completamente a cabeça.
  5. Mantenha firmeza nos glúteos e alongue a coluna, respirando com profundidade e suavidade.
  6. Para desfazer: expire e levante o tronco, trazendo a cabeça por último, voltando a sentar em Vajrasana.

Alonga intensamente as coxas e o abdômen, abre o peito e traz mobilidade aos ombros. Dá flexibilidade e tonifica a musculatura da coluna vertebral, revitalizando-a e criando espaço entre as vértebras.

Postura intensa que direciona o prana para o centro cardíaco e, em seguida, para o ajna chakra e o sahasrara. Promove a sublimação de toda a região abdominal, atua estendendo o quadril e as coxas — provocando liberações nessa área — e alonga o canal frontal do corpo.
  • Cruzar os braços atrás, segurando os calcanhares opostos.
  • Levar as mãos com os dedos entrelaçados atrás da nuca.
  • Ekapada-ustrasana: uma das pernas a 90 graus em relação ao chão, planta do pé no chão.
  • Na mesma variação, levar um dos braços à cintura — ou trocar para o braço contrário à perna.
  • Ardha-padma-ustrasana: uma das pernas em padma.
  • Kapotasana: os dois antebraços no chão atrás dos pés, mãos tocando os pés e a testa no chão.
  • Laghu-vajrasana: cabeça na planta dos pés, braços esticados, mãos tocando os joelhos.
Atenção: pessoas com dores de coluna, especialmente problemas na região lombar e cervical.
Orientação para quem ensina: observar se a aluna não está caída para trás, pedindo que traga o quadril à frente e encaixe as escápulas, abrindo o peito.
  • Manter os joelhos no chão e levar as mãos atrás, elevando o quadril e abrindo o peito para cima e para trás.
  • Apoiar as mãos em blocos.
  • Praticar encostando as coxas e o osso púbico na parede.

Posturas de meditação

Seguindo o conceito de sthira-sukham de Patanjali — estável e confortável — essas posturas existem para sustentar a coluna ereta sem esforço, para que a mente, e não o corpo, seja o verdadeiro objeto da prática.

Ana Lima demonstrando Sukhasana, a Postura Fácil, sentada de pernas cruzadas com a coluna ereta
Ana Lima em Sukhasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura de meditação · Sthira-sukham: estável e confortável

Sukhasana

a Postura Fácil
acalma a mente e prepara para a meditação

Sukha quer dizer fácil, fluido, leve — o convite dessa postura é encontrar uma base estável para a coluna, sem esforço muscular, deixando a mente livre para se aquietar.

Categoria
Posturas de meditação
Função
Base para meditação e pranayama
Nível
Iniciante
  1. Sente-se com as pernas cruzadas, procurando manter as canelas na mesma linha e os pés embaixo dos joelhos.
  2. Movimente os ísquios para trás e distribua o peso igualmente entre os dois lados, a frente e atrás.
  3. Coloque as mãos sobre os joelhos e inspire, expandindo o tórax e alongando a coluna.
  4. Traga os bandhas suavemente para ajudar a alinhar a coluna e depois relaxe, sem perder a postura.
  5. Troque a posição das pernas e repita os mesmos passos para o outro lado.

É uma postura muito usada em práticas de meditação e pranayama. Acalma a mente e prepara o campo para a concentração, diminui a frequência cardíaca, regula o sistema nervoso simpático e ajuda a equilibrar a pressão sanguínea.

Enquanto outras posturas de meditação têm um efeito mais intenso na mente e criam um efeito de sublimação, Sukhasana é mais neutra — por isso é usada em meditações analíticas, para diagnosticar o estado de uma pessoa. Ao permitir conforto por mais tempo, possibilita sentir melhor os efeitos da meditação em si, e não apenas os efeitos do asana.
Orientação para quem ensina: se a aluna estiver com a coluna curvada, a professora pode oferecer um suporte para que se sente sobre ele. Vale observar se os pés estão embaixo dos joelhos e as canelas paralelas.

Posturas de equilíbrio

Além do desafio físico de sustentar o corpo num apoio reduzido, essas posturas treinam algo mais sutil: o foco da mente e a capacidade de ficar presente mesmo quando tudo pede para cair.

Ana Lima demonstrando Vrksasana, a Postura da Árvore, em pé sobre um tapete rosa
Ana Lima em Vrksasana — acervo da biblioteca de ásanas
Posturas em pé · também em Posturas de equilíbrio

Vrksasana

a Postura da Árvore
equilíbrio, foco e enraizamento

Vrksa quer dizer árvore. Para executá-la, a yogue enraíza um dos pés no chão, mantém o tronco firme e, ao mesmo tempo, cresce infinitamente para cima — como se os braços fossem galhos.

Categoria
Posturas em pé
Também associada a
Posturas de equilíbrio
Parte de
Sequência a partir de Tadasana
  1. Partindo do Tadasana, transfira o peso do corpo para o pé esquerdo.
  2. Flexione a perna direita, leve o joelho para fora e traga o calcanhar o mais alto possível, conectando toda a sola do pé direito na parte interna da coxa esquerda.
  3. Mantenha a conexão firme do pé esquerdo no chão e do pé direito na coxa esquerda; eleve o arco do pé esquerdo e a patela do mesmo lado.
  4. Junte as palmas das mãos em frente ao peito e estique os braços para cima e para trás, sem separar as palmas, esticando completamente os cotovelos.
  5. Encaixe a ponta das escápulas para dentro, abra o peito e relaxe a garganta.
  6. Fixe o olhar em um ponto à frente, na mesma altura dos olhos, e respire profundamente com suavidade, integrando todas as ações sem criar tensões.
  7. Para desfazer: desça os braços trazendo as palmas novamente em frente ao peito, desconecte o pé direito da coxa esquerda e volte para Tadasana. Repita do outro lado, permanecendo o mesmo tempo nos dois lados.

Como todas as posturas em pé, Vrksasana herda os efeitos do Tadasana e ainda tonifica os músculos das pernas e dos braços, alonga a coluna, ajuda a aumentar a capacidade pulmonar e a circulação do sangue. Melhora consideravelmente o equilíbrio: como o centro fica fora do eixo usual do corpo, a postura exige a contração de músculos — especialmente os do core — que não são acionados enquanto os dois pés estão no chão.

O objetivo maior das posturas de equilíbrio não é encontrar apenas um equilíbrio físico, mas desenvolver o foco e a concentração da mente. Por meio delas, adquirimos um feedback biológico que estabiliza o corpo, estabiliza a mente — e traz silêncio interno.
  • Colocar o pé abaixo do joelho, com as palmas das mãos unidas em frente ao peito para equilíbrio.
  • Manter os dedos do pé no chão, pressionando a sola na parte interna do tornozelo da perna de base.
  • Manter as ações da perna e entrelaçar os dedos das mãos, palmas para cima ou usando um mudra.
  • Para quem tem boa abertura de quadril: manter a perna dobrada em meio lótus, passando o braço do mesmo lado por trás das costas para segurar o pé, e elevando para o alto o braço da perna estendida.
Orientação para quem ensina: para não compensar na lombar, sugerir que a praticante contraia levemente o abdômen e projete o esterno à frente. O professor pode segurar os punhos da aluna com uma ação de ajuste "para cima" e, com a outra mão nas costelas, ajudar a estabilizar a postura e alinhar a coluna. Se um lado do quadril estiver desalinhado, pedir que nivele os quadris; se o quadril estiver projetado para frente ou para trás, pedir que ative o abdômen e alinhe a pélvis com o tronco.
  • Pouca abertura de quadril: levar a sola do pé até a altura que for confortável, mantendo os ajustes principais da postura.
  • Instabilidade emocional, com abertura de quadril normal: praticar a postura apoiada na parede.
Ana Lima demonstrando Bakasana, a Postura da Garça, equilibrada sobre as mãos com os joelhos apoiados nos braços
Ana Lima em Bakasana — acervo da biblioteca de ásanas
Postura de equilíbrio · Força de braços e core

Bakasana

a Postura da Garça
equilíbrio sustentado pela força dos braços

Baka quer dizer garça — nessa postura o corpo toma a forma de uma garça pronta para tomar água do rio, equilibrada inteiramente sobre as mãos.

Categoria
Posturas de equilíbrio
Também associada a
Força de braços e abdômen
Parte de
Sequência de posturas de equilíbrio
  1. Agache com os pés juntos e os joelhos afastados, mantendo a planta dos pés no chão.
  2. Expire e coloque as mãos no chão entre as pernas, na mesma largura dos ombros.
  3. Conecte a parte interna dos joelhos às axilas e leve o peso para frente, equilibrando a postura.
  4. Estique os braços e eleve os calcanhares na direção dos glúteos, olhando para um ponto fixo no chão.
  5. Distribua o peso igualmente nas palmas das mãos e nos dedos, como se quisesse agarrar o chão.
  6. Respire com consciência e suavidade na postura.
  7. Para desfazer: coloque os pés no chão, levante o tronco e junte os joelhos.

Fortalece os punhos, os braços e a musculatura abdominal. Traz um forte senso de equilíbrio, servindo de base para as demais posturas de equilíbrio.

A maioria das posturas de equilíbrio combina dois efeitos sutis: algum tipo de inversão e a exigência de força na parte superior do corpo e no abdômen — o que tende a intensificar os efeitos do asana e ativar a kundalini shakti. Em Bakasana, o posicionamento dos joelhos pressiona alguns marmas, e a própria postura cria um leve "puxão" na cabeça.
  • Levar as pernas para a lateral.
  • Levar a cabeça ao chão.
  • Esticar mais os braços.
  • Levar as pernas em lótus.
  • Manter uma perna no joelho e a outra esticada acima.
Orientação para quem ensina: verificar se as mãos estão na mesma largura dos ombros e se os dedos estão bem separados e conectados no chão, corrigindo se necessário. Segurando suavemente no quadril, a professora pode ajudar no equilíbrio, direcionando a aluna para cima e trazendo leveza à postura.

Ler sobre a postura é o primeiro passo.

Nas aulas ao vivo com Ana, cada ajuste deste glossário ganha corpo — literalmente, com orientação individual em tempo real, síncrona pelo Zoom.

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Fonte do conteúdo: Biblioteca de Ásanas de Ana Lima ("Categorias de Ásanas") — material pedagógico próprio, escrito por Ana Lima, professora de Hatha Yoga com formação em Yogaterapia (Oni Yoga) e mais de 20 anos de prática e docência.
Nota: conteúdo extraído da biblioteca de ásanas de Ana Lima — cobertura completa das 8 categorias, com 9 posturas em padrão editorial completo (técnica, efeitos, variações e ajustes). A foto de Tadasana permanece como placeholder intencional: a postura ainda não tem registro fotográfico próprio no acervo da Ana.
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